Os eleitores brasileiros ja doaram ao menos R$ 8,8 milhoes por meio de vaquinhas para as campanhas eleitorais de 2026, segundo levantamento do G1 feito nesta terca-feira (25) na plataforma DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Metade desse valor, cerca de R$ 4,2 milhoes, esta concentrada em apenas dez candidatos. Os numeros foram informados ao TSE por quatro empresas de financiamento coletivo que ja comecaram a prestar contas: Elegis (R$ 336.486,48), Conectei (R$ 20.212,00), Contribua (R$ 20.236,59) e QueroApoiar (R$ 8.481.538,80).
O G1 ressalva que, apesar da atualizacao constante dos dados do TSE, os valores reportados pelas plataformas nao correspondem necessariamente ao total ja arrecadado, ja que a prestacao de contas so ocorre depois que os fundos sao transferidos para a conta bancaria de campanha, dentro de um prazo de 72 horas definido pela legislacao eleitoral. Sao os proprios candidatos que enviam essas informacoes ao sistema da Justica Eleitoral. O prazo para partidos e candidatos acertarem a prestacao de contas de toda a campanha vai de 9 a 13 de setembro, com envio da prestacao completa possivel ate 14 de novembro.
Quem lidera o ranking
Considerando apenas as plataformas de doacao virtual, os dez candidatos mais apoiados somam R$ 4,2 milhoes, mais da metade do total reportado ate agora. Lideram a lista Renan Santos (Missao), pre-candidato a Presidencia, com R$ 1,26 milhao, e Marcel Van Hattem (Novo), candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, com R$ 743 mil. Em seguida aparecem Jones Manoel (Psol), candidato a deputado federal por Pernambuco, com R$ 573 mil, Rodrigo Spada (PSD), candidato a deputado federal por Sao Paulo, com R$ 469 mil, e Kim Kataguiri (Missao), candidato a deputado federal por Sao Paulo, com R$ 216 mil. Completam o top dez Humberto Matos (PCdoB, deputado estadual pelo RS, R$ 207 mil), Flavio Bolsonaro (PL, pre-candidato a Presidencia, R$ 203 mil), Deputado Caravina (PSDB, deputado estadual pelo MS, R$ 196 mil), Professor Jose (PSB, deputado federal pelo RJ, R$ 185 mil) e Elias Jabbour (PCdoB, deputado federal pelo RJ, R$ 184 mil).
Segundo o G1, quase todos os nomes no topo do ranking tem forte presenca nas redes sociais, e a maioria e de direita. O cientista politico Marco Antonio Teixeira, professor da FGV, avalia que isso nao e acaso. Ele disse ao G1 que os politicos de direita atuam nas redes sociais ha mais tempo, enquanto a esquerda comecou a enfrentar as redes sociais recentemente. Para ele, ha uma correlacao direta entre apoio monetario e forca digital: as redes permitem que candidatos mobilizem eleitores que nao participam de partidos, sindicatos ou associacoes tradicionais, mas que se engajam politicamente a partir das telas.
Teixeira destaca ainda que o resultado do ranking reflete estrutura de organizacao e anos de trabalho por tras dos nomes, nao um fenomeno espontaneo. Renan Santos e Kim Kataguiri contam com a infraestrutura do partido Missao, enquanto Jones Manoel, filiado ao PSOL desde marco, tem quase 2 milhoes de seguidores no Instagram e historico de ativismo individual anterior a filiacao partidaria. Elias Jabbour, professor de Economia da UERJ, foi assessor da ex-presidente Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento, em Xangai, e Rodrigo Spada foi auditor fiscal da Receita Estadual de Sao Paulo e presidente da Associacao Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais.
Dentro da plataforma QueroApoiar, o Missao e o partido com maior valor arrecadado ate o momento, uma das siglas pequenas que recebera apenas a cota minima do Fundo Eleitoral do TSE, de R$ 3.307.679,85. A vereadora paulistana Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha de Santos, disse ao G1 que o Missao tera um recurso bem limitado de Fundo Eleitoral, sem Fundo Partidario, que sera dividido entre os outros candidatos, exceto o pre-candidato Renan Santos, que tera arrecadacao propria atraves de vaquinha online. O advogado eleitoral Francisco Zardo apontou ao G1 que essa dependencia de recursos proprios explica por que outros pre-candidatos a Presidencia ainda nao abriram vaquinhas.