O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ergueu nesta terça-feira (22) um quadro com a imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em um comício em São Luís (MA), e desafiou publicamente a Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro. A provocação ocorreu um dia após agentes do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) apreenderem uma peça semelhante, com a foto do ex-presidente, durante campanha de rua em Teresópolis, na Região Serrana fluminense.
Segundo o UOL e a Folha PE, o senador repetiu o desafio diante da plateia, reunida no estacionamento de uma loja na Avenida Daniel de La Touche, bairro Cohajap, na capital maranhense, depois de uma motocarreata pelo centro da cidade:
"Vem tomar meu quadro aqui, TRE. Vem aqui tomar meu quadro, TRE. Vai ter que me levar junto, porque eu vou honrar esse cara", disse Flávio, referindo-se ao pai.
A apreensão que motivou a cena aconteceu na segunda-feira (21). Agentes do TRE-RJ recolheram o quadro que estava com o vereador e candidato a deputado federal Rafael Satiê (PL-RJ), sob a alegação de propaganda irregular. "Isso aqui não é propaganda. O Bolsonaro é candidato?", questionou Satiê, em vídeo divulgado nas redes sociais. O candidato classificou a ação como ridícula e afirmou que um colaborador da campanha chegou a receber voz de prisão durante a abordagem. Segundo a versão de um dos agentes, registrada no vídeo, o homem teria ameaçado um policial. Procurada pela reportagem da Revista Oeste, a assessoria do TRE-RJ não respondeu, até a publicação, sobre o fundamento legal da apreensão.
O que diz a Justiça Eleitoral
A discussão sobre a imagem de Jair Bolsonaro ganhou força na semana passada, quando a ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), concedeu liminar para retirar de circulação materiais de campanha que usem a foto do ex-presidente de forma a transmitir apoio a uma candidatura. A decisão atendeu a ação da deputada estadual Duda Hidalgo (PT-SP) contra o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), cuja campanha produziu 50 mil santinhos com a imagem de Bolsonaro ao lado da própria foto, nome e número de urna. A restrição não alcança qualquer fotografia do ex-presidente, e sim peças em que o contexto o apresente como apoiador de um candidato. Para a ministra, as medidas impostas ao ex-presidente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) vedam manifestações político-eleitorais "inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado". A base é uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, que proíbe Jair Bolsonaro de divulgar manifestações político-eleitorais até o fim das eleições de 2026, inclusive por terceiros.
O episódio acontece a 12 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e acompanha a escalada de críticas do presidenciável ao STF. Em São Luís, Flávio afirmou que indicará cinco novos ministros à Corte caso seja eleito, segundo o G1, e voltou a dizer, sem apresentar provas, como registrou a Folha PE, que o tribunal tenta interferir na eleição. O TSE também investiga o candidato por suspeita de impulsionamento irregular de publicações nas redes sociais.