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Vorcaro foi sócio da casa de apostas Bet.Bet com dono da Pixbet e Xand Avião

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LCPor Luiza Campos•15 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Metrópoles

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi sócio da casa de apostas Bet.Bet entre dezembro de 2023 e setembro de 2025, mostram documentos do Ministério da Fazenda e da Junta Comercial de São Paulo consultados pela Folha de S.Paulo. No negócio estavam também o dono da Pixbet, Ernildo Júnior, o empresário musical Kleryston Pontes Silveira e o cantor Xand Avião. A participação veio à tona nos autos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, tornados públicos na quinta-feira (10), enquanto as autoridades tentam localizar os ativos do ex-banqueiro, cujo banco foi liquidado em novembro de 2025.

Como a sociedade era montada

Segundo a Folha, os papéis entregues ao regulador em 2024 dividiam a empresa em quatro blocos: 30% para uma companhia ligada a Vorcaro, 30% para a HDL JT, dos primos Ernildo Júnior e Diomar Tadeu Dantas de Farias, donos da Pixbet (o Metrópoles grafa o primeiro nome como Ednildo), 27% para Kleryston e 13% para um grupo de músicos que incluía Xand Avião, Zé Vaqueiro e Nattan. O Metrópoles, que noticiou a sociedade antes, apurou números um pouco diferentes: 23% para Kleryston e 17% para a Jacka Participações, o veículo dos artistas. Os dois veículos convergem no ponto central: o nome de Vorcaro não aparecia em nenhum documento entregue à SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), o órgão do Ministério da Fazenda que regula as apostas. A participação dele ficava dentro da Bet Participações, cujas ações pertenciam ao Oracle Fundo de Investimentos, cujo único cotista declarado era Adriano Garzon Correa, ex-despachante de Nova Lima (MG) que também administrava a Viking Participações, holding dona das três aeronaves usadas pelo banqueiro. Essa declaração foi feita para obter a licença de R$ 30 milhões, segundo o Metrópoles. A estrutura funciona como caixas dentro de caixas: quem abre o primeiro papel vê um despachante; o dinheiro de Vorcaro está na última caixa.

A Bet.Bet nasceu para disputar o topo do mercado. Em fevereiro de 2024, os sócios pagaram US$ 600 mil (R$ 2,9 milhões na época) só pelo endereço bet.bet, o valor mais caro já pago por um domínio fora do ".com", de acordo com o portal especializado DNJournal, citado pela Folha. É o equivalente a comprar a loja da esquina da rua mais movimentada: o nome é fácil de achar em qualquer busca. Cada sócio entrou com o que tinha. Os primos da Pixbet, casa que patrocinou Flamengo e Corinthians ao mesmo tempo em 2024, levaram o conhecimento operacional; Kleryston e os músicos levaram o público do forró e do piseiro; Vorcaro levou o dinheiro. O lançamento público foi em comercial no Caldeirão com Huck em 21 de julho de 2024, segundo a Folha; o Metrópoles registra que a marca ainda patrocinou o quadro The Wall e 14 edições dos Ensaios da Anitta em janeiro de 2025.

A aposta não vingou: a casa nunca entrou entre as maiores do país. Em março deste ano, a empresa foi vendida ao conglomerado RNGX, dono da Ana Gaming e da marca Bet7K, sem valor divulgado; o Cade autorizou a operação em abril. O Metrópoles informa que o comprador é controlado por Nickolas Tadeu Ribeiro, denunciado pelo MPF por lavagem de dinheiro e organização criminosa no processo que envolve o influenciador Buzzeira. A saída de Vorcaro veio antes da venda: dois meses antes da liquidação do Master, em novembro de 2025, houve aumento de capital de R$ 10 milhões para R$ 19 milhões e Kleryston assumiu 100% da Bet Participações. Na sexta (11), o advogado da Pixbet, Pyerre Saymon, negou que Vorcaro fosse dono da casa, como afirmara em mensagem interceptada o policial aposentado Marilson Roseno, investigado por serviços ilegais ao banqueiro.

"A Pixbet esclarece que não procede a informação de que Daniel Vorcaro detenha ou tenha detido participação societária, direta ou indireta, no Grupo Pixbet", afirmou a companhia em nota.

O que ainda não sabemos

Os documentos mostram laços societários e datas; o que ainda não aparece é o dinheiro. Não há valor publicado de quanto Vorcaro aportou, e nenhum dos veículos mostra se recursos do Banco Master entraram na operação. A defesa do ex-banqueiro não respondeu à Folha; as equipes de Kleryston, de Xand Avião e a Pixbet não responderam ao Metrópoles. A fonte da acusação mais forte também é frágil: em outra mensagem interceptada, Roseno diz que Vorcaro tinha 25% da SAF do Atlético Mineiro, quando a fatia real era de 8,2%, e cita um patrocínio da Bet.Bet ao clube que nunca saiu do papel (o Atlético fechou com a H2 Bet).

O caso é um teste prático para a regulamentação das apostas. A licença custa R$ 30 milhões e exige que a empresa declare quem é o beneficiário final, mas a checagem vale o que a própria empresa conta: a sociedade de Vorcaro passou pelo crivo do regulador com um ex-despachante como único cotista visível. Vale acompanhar se a Polícia Federal estende o mapeamento de ativos do caso Master à casa de apostas e se o valor da venda para o RNGX aparece nos registros. Para quem aposta, o selo bet.br confirma que a casa tem licença para operar; quem está por trás dela continua dependendo do que a empresa declara.

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