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Vorcaro reuniu-se com Gilmar Mendes no STF para pedir apoio em causa bilionária de usinas

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MRPor Marina Rocha•18 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Estadão, G1

O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), no dia 11 de abril de 2024. Na ocasião, pediu que o ministro votasse a favor de uma causa bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro que beneficiaria Vorcaro diretamente. O encontro é relatado pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, publicada nesta quinta-feira (17).

As informações vêm de conversas extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. O Estadão apurou que a reunião com Gilmar ocorreu e que Vorcaro contratou o ex-senador cearense Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, o Chiquinho Feitosa (Republicanos), que na época era cunhado do ministro e atuou pela reunião do Master com Gilmar. Mensagens citadas pelo jornal indicam contrato de R$ 500 mil mensais.

O papel do ex-cunhado

Chiquinho é irmão da advogada Guiomar Feitosa, mulher de Gilmar até novembro de 2025, quando os dois se divorciaram. Segundo o Estadão, as conversas extraídas pela PF, entre 15 de abril e 13 de novembro de 2024, mostram que ele recebeu pagamentos de Vorcaro por serviços de assessoria. A contratação foi feita pela Super Empreendimentos, empresa apontada pela PF como instrumento de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Procurado, Chiquinho negou primeiro ter trabalhado para o banco de Vorcaro. Confrontado com a contratação, admitiu a prestação de serviço, mas por "um curto período", e disse que a empresa era vista na época como "idônea" e que "atuava em diversos segmentos". Em mensagem de 11 de setembro de 2024, ele prestou contas a Vorcaro de tratativas sobre precatórios e educação e discutiu o próprio contrato: "mandou o contrato para assinarmos e emitir a nota do dia 15, conforme combinamos". O Estadão também apurou que o encontro do advogado Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União, com Gilmar ocorreu, e que Vorcaro apresentou Bianco a Chiquinho. Bianco foi contratado pelo Master para defender fundos que compraram precatórios de usinas de açúcar.

Os pedidos não prosperaram

Nos dois casos tratados entre Vorcaro e o ex-senador, os votos de Gilmar foram contrários aos interesses do Master, informa o Estadão. Um deles envolvia precatórios da Usina Agroindustrial Tabu, da Paraíba, adquiridos por fundos do banco. O outro tratava de regras para abertura de vagas em cursos de medicina; o Master chegou a ser sócio e financiador de uma universidade com cursos de medicina por meio de um de seus fundos, e Gilmar, relator, votou pela manutenção da lei em vigor, em um caso que, segundo o jornal, foi indiretamente contrário ao interesse de Vorcaro.

As revelações chegam em meio à crise no STF em torno dos dados extraídos do celular de Vorcaro. O presidente do tribunal adiou nesta semana o julgamento sobre o caso do ministro André Mendonça; Gilmar atacou o relator do caso nas redes sociais e acusou o colega de agir com fim político-eleitoral. Mendonça respondeu que nunca usou o plenário "como palanque ou picadeiro". Procurado na tarde desta quinta (17), Gilmar não se manifestou, e o espaço segue aberto, segundo o Estadão. Os dois julgamentos ligados aos pedidos de Vorcaro já foram concluídos, e ambos terminaram em derrota para o banco.

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