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Yduqs incorpora a Afya e cria gigante do ensino médico com receita de R$ 9,4 bi

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ANPor André Nakamura•24 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Exame

A Yduqs, dona da Estácio e do Ibmec, e a Afya, controladora de uma das maiores redes de faculdades de medicina do país, assinaram nesta quarta-feira (23) um acordo para combinar seus negócios. Segundo o fato relevante divulgado pelas companhias, a nova empresa reunirá cerca de 38 mil alunos de graduação em medicina e quase 5.900 vagas anuais autorizadas no curso. Juntas, as duas companhias somaram receita líquida de R$ 9,4 bilhões nos 12 meses encerrados em junho de 2026, segundo a Folha de S.Paulo, com a medicina respondendo por cerca de 45% do total.

Na forma, a Yduqs incorpora a Afya, sediada nas Ilhas Cayman e listada na Nasdaq, que deixará de existir. O controle econômico vai para o outro lado: pela relação de troca das ações, os acionistas da Afya ficarão com 69% da companhia combinada e os da Yduqs, com 31%. A Yduqs seguirá listada no Novo Mercado da B3 e assume todos os bens, direitos, obrigações e passivos da Afya. Do lado da Afya, o principal acionista é o grupo alemão Bertelsmann, com cerca de 65% das ações. Na Yduqs, os maiores sócios são o fundo Advent, com cerca de 15%, e a família Zaher, com aproximadamente 12%, segundo o Exame.

O teste no Cade

Em 2025, a Afya teve receita de R$ 3,7 bilhões e a Yduqs, de R$ 5,5 bilhões, segundo o Exame. A companhia combinada deteria cerca de 17% do mercado de cursos de medicina, segundo o JP Morgan, e as duas empresas somariam perto de 18% das vagas autorizadas no país. A conclusão depende de aprovação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), das assembleias de acionistas das duas companhias e do consentimento de credores, com prazo até 31 de março de 2028. A concentração pode ser maior quando analisada cidade a cidade, e ainda não há desinvestimentos acertados, segundo o Exame. A Yduqs conhece o risco: em 2017, quando ainda se chamava Estácio, teve a venda para a Kroton, atual Cogna, barrada pelo órgão por concentração em mercados locais.

Como o dinheiro flui no acordo

O contrato prevê mecanismo de equalização econômica em favor da Afya e autoriza a Yduqs a distribuir aos seus acionistas, desde 30 de junho, o maior valor entre R$ 750 milhões e o fluxo de caixa livre gerado no período. Se pagar acima do que gerou, a Afya terá direito a compensação. Há ainda uma trava: para o negócio fechar, a dívida líquida da Yduqs não pode subir mais de R$ 750 milhões em relação ao nível de junho. Em caso de desistência, a multa é de R$ 325 milhões antes das assembleias e de R$ 650 milhões depois. Se o Cade barrar a operação ou os acionistas rejeitarem, não há multa.

Para a Yduqs, a fusão reforça a aposta nos chamados ativos premium, como medicina e o Ibmec, que responderam por 48% do Ebitda ajustado no primeiro semestre de 2026, segundo a Folha. A Afya contribui com a educação continuada para médicos formados, com mais de 56 mil alunos até junho, e com os aplicativos de prática clínica Whitebook e iClinic, que somam mais de 200 mil usuários pagantes. As empresas estimam sinergias com valor presente líquido de até R$ 2,2 bilhões, sobretudo cortes de custos, com 80% do efeito possível nos três primeiros anos após o fechamento. As projeções já descontam custos de integração e o efeito do Pillar 2, regra da OCDE que impõe imposto mínimo de 15% a grandes grupos multinacionais.

"Vamos viabilizar o máximo impacto da inteligência artificial e de outras tecnologias na formação dos alunos, além de alavancar as melhores práticas das duas plataformas de ensino, preservando as forças, marcas e capacidades institucionais de cada negócio", disse, em nota, Virgilio Gibbon, CEO da Afya. "O Brasil segue com um enorme desafio pela frente: avançar na inclusão da população no ensino superior, além de promover a melhoria dos indicadores de saúde e da distribuição de médicos, temas tão urgentes para o país."

Para acionistas e gestores, a operação promete escala e corte de custos. Para estudantes e famílias, o efeito imediato é incerto: a concentração cidade a cidade será o principal teste do Cade, e a distribuição de médicos pelo país segue como desafio citado pela própria Afya.

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