O candidato à Presidência e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) instalou, nesta segunda-feira (7), um painel gigante com o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atrás das grades. A peça foi afixada na lateral do Edifício Anchieta, na avenida Paulista, em São Paulo, para o ato do 7 de Setembro organizado pelo partido. No palco, Zema falou em "turminha" de Moraes dentro da Corte e cobrou uma posição da ministra Cármen Lúcia.
A montagem mostra o ministro com toga e uniforme de presidiário, ao lado da frase "Chega de Intocáveis". Segundo o Poder360, o nome é referência à websérie veiculada nas redes do presidenciável. O painel também reproduz foto do jornalista Brenno Carvalho, do O Globo, em que Moraes aparece rindo com outros ministros depois da sessão de 2 de setembro, imagem que circulou nas redes no auge da crise entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Antes do ato, Zema gravou um vídeo no alto do Edifício Chypre, também na Paulista, com a faixa ao fundo: "Nós temos, lá em Brasília, um bando de intocáveis que se consideram acima das leis, da Constituição e, principalmente, acima de todos nós, brasileiros de bem, que pagamos impostos".
A "turminha" e a cobrança a Cármen Lúcia
"O ministro Flávio Dino faz parte da turminha que quer que tudo continue como está, por que tem gente poderosa se beneficiando. Faz parte da turminha do Moraes, do Toffoli, do Gilmar Mendes, é a mesma turminha. E estamos vendo o que são capazes de fazer", declarou Zema, em transcrição da CNN Brasil.
O candidato ampliou o ataque. "Em qualquer país minimamente civilizado, onde se tem vergonha na cara, um ministro como esse [Alexandre de Moraes], prestando serviços a um bandido, teria sido expelido, expulso, e muito provavelmente, encarcerado", afirmou, segundo o Poder360. A CNN Brasil lembra que as declarações vieram dias depois de o ministro André Mendonça derrubar o sigilo de relatório da PF (Polícia Federal) que revelou mensagens de Vorcaro a Moraes.
Sobre Cármen Lúcia, mineira como Zema, o candidato disse esperar que "a consciência dela fale mais alto do que o espírito corporativista". "Vou passar uma mensagem pra ela, pensei ontem e anteontem, mas vou mandar. Tenho o contato dela, sei que é uma pessoa do bem. Hoje está isolada lá, é a única mulher no supremo, e vou reforçar essa questão com ela", afirmou. Zema prometeu ser "o presidente que mais vai nomear mulheres ao Supremo"; a CNN Brasil registra previsão de três vagas abertas na Corte ao longo do próximo mandato presidencial.
O que vem a seguir
O STF vive crise institucional desde 1º de setembro, com o caso Master como pano de fundo e revelações da Polícia Federal sobre envolvimento de autoridades com o esquema de favores comandado por Vorcaro. Mendonça liberou para o plenário o caso das conversas entre Moraes e o banqueiro; cabe ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir os próximos passos. Segundo levantamento do Poder360, uma eventual votação do plenário sobre investigação de Moraes está dividida ao meio, e Cármen Lúcia é a única ministra com voto ainda indefinido.
Mais tarde, a mesma avenida recebe a manifestação do senador e candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro, com os motes "Fora Lula, Fora Moraes" e "É agora ou nunca". A mensagem de Zema a Cármen Lúcia, segundo o próprio candidato, será enviada nos próximos dias.