O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (24) que, se eleito, garantirá a reposição da inflação no salário mínimo, mas não se comprometeu com aumento real para os trabalhadores. Em entrevista à Globo, a primeira da série da emissora com presidenciáveis, o ex-governador de Minas Gerais também disse que, "por ora", não alteraria as idades mínimas de aposentadoria.
Segundo o G1, Zema condicionou reajustes acima da inflação ao desempenho da economia e disse que manteria o ganho em relação ao crescimento dos dois anos anteriores se a economia "estiver indo bem". Hoje o salário mínimo é de R$ 1.621, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou R$ 1.741 para 2027 na proposta orçamentária que será enviada ao Congresso até o fim do mês; o valor definitivo só será conhecido em dezembro. Como aposentadorias e benefícios sociais são indexados ao mínimo, a política de reajuste afeta também milhões de beneficiários do INSS.
Na mesma entrevista, Zema afirmou que sua prioridade econômica é derrubar a taxa básica de juros. "Com um governo sério, com credibilidade, combatendo corrupção e fraudes, essa taxa cai para 6%. Só aí nós vamos ter uma economia de R$ 800 bilhões por ano", disse, sem detalhar as medidas do ajuste fiscal que propõe.
Aposentadorias
Sobre a Previdência, o candidato disse que, "por ora", não pretende elevar as idades mínimas de aposentadoria. Ele não descartou mudanças futuras e condicionou eventuais alterações a fatores como o aumento da expectativa de vida da população e uma maior formalização do mercado de trabalho. Perguntado sobre as regras para trabalhadores rurais e militares, também amarrou decisões ao resultado do ajuste fiscal que pretende implementar. Segundo Zema, cortar gastos, combater fraudes e corrupção e tornar a administração pública mais eficiente podem reduzir a necessidade de novas mudanças nas regras previdenciárias.
"A aposentadoria vai depender muito disso. Agora, o brasileiro já trabalha muito. Eu não quero o brasileiro trabalhando mais. Eu quero a renda do brasileiro aumentando", afirmou Zema.
A sabatina foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A emissora convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest de 14 de agosto, e a ordem das entrevistas foi definida por sorteio. Zema, que renunciou ao governo mineiro em março para disputar o Planalto, abriu a série; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será sabatinado na quinta-feira (27) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), na sexta (28). O primeiro turno das eleições será em 4 de outubro.