O agregador de pesquisas da BBC News Brasil mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados em todos os cenários de segundo turno. Nos dados compilados até 15 de setembro, cada um tinha 44% das intenções de voto. A rodada da Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17) confirma o quadro: 46% para Lula e 44% para Flávio, diferença dentro da margem de erro de dois pontos.
No primeiro turno, a Datafolha atribui 39% a Lula e 36% a Flávio, outro empate técnico. Augusto Cury (Avante) tem 6%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Brancos, nulos ou nenhum somam 6%, e 3% estão indecisos. O instituto ouviu 2.002 eleitores entre 15 e 17 de setembro. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026. No agregador da BBC, que reúne resultados de vários institutos, os cenários de primeiro turno até 15 de setembro davam 39% a Lula e 35% a Flávio.
Esta é a primeira rodada do Datafolha depois da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) de terça-feira (15), marcada por trocas de acusações entre ministros no caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o InfoMoney, os números não mostram mudança relevante entre as duas últimas rodadas. Flávio saiu de 33% em 21 de agosto para 36% agora; Lula permanece nos mesmos 39% desde então. O InfoMoney também relata que Flávio intensificou críticas a Moraes e busca associar o episódio a Lula, enquanto a campanha petista defende que eventuais irregularidades sejam investigadas.
O eleitor que pode decidir
A BBC lembra que, na mesma época de 2022, Lula liderava Jair Bolsonaro por 9 pontos, com 49% a 40%, segundo dados da Polling Data, parceira da emissora. Neste ano, a emissora analisou quatro pesquisas (Atlas/Bloomberg, Nexus/BTG, Quaest e Datafolha) para mapear os grupos de eleitores que podem definir a eleição. O mais citado por cientistas políticos é o do eleitor sem vínculo claro com os dois polos: são 32% do eleitorado pela Quaest e 18% de "não polarizados" pela Nexus.
"Acho que essa eleição vai ser decidida por uma parcela muito pequena do eleitorado, cerca de 10%, no máximo 15% do eleitorado, que não tem um vínculo partidário, uma preferência ideológica necessariamente, e fica mais aberta a apoiar o que os candidatos apresentam para eles", avalia Yuri Sanches, chefe de risco político e análise política do instituto AtlasIntel.
Augusto Cury mostrou o peso desse eleitorado. Depois do debate da TV Bandeirantes de 23 de agosto, chegou a 10% no agregador da BBC; agora marca 6%. Na Quaest, tinha 24% entre os eleitores independentes em 2 de setembro, à frente de Lula (21%) e Flávio (9%), e caiu para 15% na rodada de 14 de setembro.
O recorte do Bolsa Família
Os dados do Datafolha divulgados pelo g1 mostram onde cada candidato domina. Entre eleitores que recebem o Bolsa Família ou moram com um beneficiário, Lula tem 53% no primeiro turno, contra 28% de Flávio, e 60% a 33% no segundo turno. Entre quem não tem vínculo com o programa, o senador aparece à frente: 37% a 36%. A margem de erro nesse recorte é de cinco pontos. Segundo o g1, a maior parte das entrevistas foi feita antes do anúncio do reajuste de 15% do programa, feito na quinta (17): o piso passa de R$ 600 para R$ 691, com pagamentos a partir de 19 de outubro.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos, os dois primeiros disputam o segundo turno em 25 de outubro.