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Anatel bloqueia empresas ligadas a 4,3 milhões de chamadas com identificação falsa

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LCPor Luiza Campos•18 de setembro de 2026•Fontes: SpaceMoney, G1, Mobile Time

A Anatel determinou nesta quarta-feira (16) o bloqueio de chamadas de duas empresas responsáveis por mais de 4,3 milhões de ligações com número de origem adulterado entre setembro de 2025 e junho de 2026. Segundo o G1, trata-se da Voros Telecomunicações, que atende empresas que fazem grandes volumes de chamadas, e da ELO Contact Center, prestadora de telemarketing para a TIM.

A prática tem nome: spoofing. Funciona como uma carta com remetente falso. O número que aparece no visor do celular mostra uma identificação alterada, e quem ligou de verdade fica escondido. Segundo a Anatel, a prática "dificulta a identificação do efetivo originador das comunicações e pode ser utilizada em fraudes ou outras condutas irregulares". As 4,3 milhões de chamadas identificadas são um pedaço de um volume maior: mais de 203 milhões de chamadas adulteradas, cuja origem a agência não conseguiu rastrear por conta própria.

Como funciona o bloqueio

No caso da Voros, a Anatel concluiu que a empresa prestava serviço de telecomunicações clandestino. Ela não tem outorga, a licença para operar como operadora, e usava a capacidade de tráfego de outras empresas do setor, como se alugasse o encanamento de quem tem licença. A agência mandou as operadoras Algar, Datora e Foco fechar essa torneira. Segundo o Mobile Time, elas têm cinco dias para cumprir a ordem, e a Voros só volta a operar se conseguir outorga compatível e implantar um mecanismo de autenticação de chamadas.

A ELO Contact Center, por sua vez, fez ligações com números fora dos padrões do setor, diz a agência. A TIM, parceira da empresa, foi obrigada a bloquear por um mês a capacidade da central de originar chamadas em sua rede, com cinco dias para adotar a medida, segundo o Mobile Time. No total, a agência emitiu seis decisões cautelares contra Algar, Itelco, Surf e TIM, duas para cada.

As defesas das empresas

Além do bloqueio, as operadoras TIM, Algar, Itelco e Surf Telecom têm 30 dias para apresentar relatórios com a origem das chamadas adulteradas sinalizadas pela agência, incluindo o tráfego ligado à estrangeira US Matrix, que usava a rede da TIM. Se não cumprirem, as rotas usadas na prática podem ser bloqueadas. As empresas se defenderam: a Voros disse que não presta serviços para a rede pública e que a responsabilidade pelo identificador de origem é das operadoras parceiras. A ELO atribuiu as irregularidades a um fornecedor e afirmou ter corrigido o erro. A TIM disse que não tinha controle sobre a falha e aplicou penalidades contratuais à parceira. Algar e Surf alegaram que as ligações vieram de contratos de intermediação com terceiros. A Itelco não respondeu às intimações.

O que ainda não sabemos: quem está por trás da maior parte das 203 milhões de chamadas, se elas serviram a golpes ou a spam comercial, e se a Anatel vai aplicar multas além das medidas cautelares, que por natureza são provisórias. Também não há resposta da Itelco até agora.

Para quem espera ganhar menos ligações indesejadas no celular, a leitura prática é de paciência e cautela. O incentivo econômico é claro: quem liga em massa, como telemarketing e cobrança, ganha com o volume e com números que driblam filtros e bloqueios. Na prática, continue tratando o identificador de chamadas com desconfiança, mesmo quando o número parecer o do seu banco, e não repasse códigos ou dados por telefone. O próximo marco a acompanhar é o prazo de 30 dias: se os relatórios não saírem, a própria Anatel prevê mais bloqueios.

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