A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu o primeiro dia do horário eleitoral na televisão, nesta sexta-feira (28), com ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa. Segundo a Folha de S.Paulo, uma inserção de 30 segundos, exibida nos intervalos da programação das emissoras, associa o candidato de direita ao escândalo do Banco Master, a matadores de aluguel e ao caso das rachadinhas.
A ofensiva combina as peças de TV com postagens de conteúdo semelhante nas redes sociais e tem dois objetivos, de acordo com a Folha: elevar a rejeição do eleitorado ao senador ao longo da campanha e pressioná-lo antes da entrevista ao vivo que ele concede nesta noite ao Jornal Nacional, na TV Globo. O material em exibição classifica o adversário como "o pior dos Bolsonaros". A campanha petista também lançou um site dedicado a peças de crítica a Flávio, com incentivo ao compartilhamento pelo WhatsApp. Integrantes da equipe avaliam que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pode determinar a retirada da página do ar em algum momento, segundo o jornal.
A entrevista ao Jornal Nacional, telejornal de maior audiência do país, dura 40 minutos e é uma das principais vitrines dos candidatos. Flávio Bolsonaro será o quarto entrevistado do ciclo. Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e o próprio Lula já passaram pela bancada. Augusto Cury (Avante) encerra a série no sábado (29). Os cinco foram selecionados por terem as maiores intenções de voto.
Programa completo estreia no sábado
As inserções curtas antecipam o programa eleitoral completo, que estreia no sábado (29) na TV e no rádio. Segundo o Estadão, a campanha de Lula terá a maior fatia do horário, com 5 minutos e 31 segundos por dia. Flávio terá 4 minutos e 20 segundos, Caiado 2 minutos e 2 segundos, e Cury, 35 segundos. A propaganda presidencial vai ao ar às terças, quintas e sábados.
De acordo com integrantes da campanha ouvidos pelo Estadão, a propaganda de Lula foi dividida em duas frentes. A primeira defende os resultados do terceiro mandato, com temas como emprego, saúde, educação e soberania nacional, e compara a gestão atual com a de Jair Bolsonaro. A segunda explora desgastes do adversário: o caso das rachadinhas, a relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o financiamento do filme Dark Horse. Parte das gravações foi feita em uma casa no Lago Sul, em Brasília, com Lula usando o chapéu-panamá que aparece na foto da urna eletrônica. A campanha também produziu peças voltadas ao eleitorado feminino, segmento em que Lula tem 50% das intenções de voto contra 40% de Flávio em um eventual segundo turno, segundo o Datafolha.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, planeja priorizar economia e segurança pública na largada e, ao longo do programa, atacar o petista com as suspeitas que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, segundo o Estadão. O próximo capítulo da disputa acontece nesta noite, com a sabatina de Flávio ao vivo no Jornal Nacional. No sábado, Cury fecha o ciclo de entrevistas e o programa eleitoral completo entra no ar.