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Campanha de Lula resgata o passado de Moraes para se distanciar do ministro do STF

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MRPor Marina Rocha•18 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, Poder360, O Globo, G1

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu resgatar publicamente o histórico do ministro Alexandre de Moraes antes de sua chegada ao STF (Supremo Tribunal Federal). O objetivo é desfazer o vínculo entre o petista e o ministro construído pela oposição. A estratégia é detalhada em reportagem do Poder360 publicada nesta quarta-feira (16), um dia depois de o plenário encerrar sem decisão a sessão sobre a crise em torno de Moraes no caso Banco Master.

A sessão de terça-feira (15) foi interrompida com placar de 4 votos a 3 para manter separadas as análises dos casos de Moraes e do ministro André Mendonça. O ministro Flávio Dino pediu vista e adiou o julgamento. Segundo o G1, até o caso ser devolvido, os ministros não podem decidir se há elementos para abrir uma apuração contra Moraes por causa de relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com suposta relação com o ministro.

A trajetória antes do STF

O argumento central da campanha é que Moraes não tem alinhamento político com Lula. O ministro foi indicado à Corte pelo então presidente Michel Temer (MDB), em 2017, depois de comandar o Ministério da Justiça no mesmo governo. Antes, foi secretário da Justiça (2002 a 2005) e de Segurança Pública (2015 e 2016) de São Paulo em governos de Geraldo Alckmin (PSDB na época). À frente da Segurança, presidiu episódios de confronto entre a Polícia Militar e manifestantes, em 2015 e 2016, com atuação criticada por petistas paulistas até hoje, segundo o Poder360. Em 2018, já ministro, Moraes votou pela rejeição do habeas corpus da defesa de Lula contra a execução provisória da pena no caso do tríplex do Guarujá; o petista estava preso desde abril daquele ano.

Outra frente é a cronologia do Banco Master. A campanha pretende lembrar que o banco começou a operar no governo Jair Bolsonaro (PL) e foi liquidado no governo Lula. A tese petista, segundo o Poder360, é que a crise envolvendo o ministro deve ser tratada como questão do Judiciário, sem ser incorporada à disputa presidencial. O governo defende a investigação de todos os envolvidos. Em entrevista à Record na terça, Lula disse ser preciso investigar "todos, sem distinção", e que ninguém deve escapar de julgamento quando houver suspeita ou acusação.

Leitura de "presente" a Flávio Bolsonaro

No entorno do presidente, as avaliações sobre os efeitos eleitorais da sessão divergem, apurou o Poder360. Uma das leituras é que a crise no STF não beneficia nem Lula nem Flávio Bolsonaro (PL) e é vista como prejudicial ao país. Outra é que o episódio não atinge Lula eleitoralmente. Há ainda uma avaliação mais crítica: segundo a coluna de Bela Megale, do jornal O Globo, integrantes do governo avaliam que a ala de ministros aliada a Moraes teria dado "um presente" a Flávio Bolsonaro no julgamento. Na CNN Brasil, o analista Caio Junqueira escreveu que o dia em que Moraes "venceu o primeiro round" dentro da Corte teve "como efeito reverso um presente político para Flávio Bolsonaro".

As campanhas já disputam o tema na televisão. Na propaganda eleitoral de terça, Flávio dedicou o programa a associar o presidente ao ministro. "O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes. E, no fim, o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando", disse o senador, segundo o G1. O programa petista explorou as investigações do senador no caso Master, afirmou que ele foi "flagrado pedindo R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro" e terminou com o slogan "Flávio, o pior dos Bolsonaros". Lula repetiu a promessa de apuração ampla: "É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém."

A disputa está apertada. Pesquisa Quaest divulgada na segunda (14) mostrou Flávio com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula em eventual segundo turno, um empate técnico. Segundo o G1, a campanha do senador não atribui o avanço diretamente à crise na Corte; aliados apontam o desempenho entre as mulheres como principal motor. O próximo passo do caso está no calendário do STF: Dino tem até 90 dias para devolver o processo, prazo que termina em dezembro, após as eleições, e a sessão de 23 de setembro, marcada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para analisar a conduta de Mendonça, ficou comprometida pelo impasse.

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