Os partidos do centrão que ficaram neutros no primeiro turno já discutem um apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação é da coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, publicada no sábado (19). Segundo líderes de partidos ouvidos pela coluna, há uma tendência de apoio ao senador, especialmente depois do crescimento dele nas pesquisas recentes.
União Brasil e PP, que formam uma federação, devem liderar a fila de apoios ao candidato do PL, segundo um dirigente ouvido pelo jornal. Essa leitura não é nova. Em dezembro de 2025, o cientista político Mário Sérgio Lepre, professor da PUC-PR, disse à Folha de Londrina que "União e PP deverão ir nessa linha" de apoiar Flávio, enquanto com Republicanos, PSD, MDB e PSDB o caminho "vai ser um pouco mais trabalhoso".
Bastidores já veem Flávio como favorito
O cenário foi se formando ao longo do mês. A coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, noticiou em 10 de setembro que líderes de PP, União Brasil e Republicanos passaram a ver Flávio como favorito na eleição. Até agosto, eles consideravam Lula franco favorito à reeleição. Sob reserva, esses líderes apontam como ponto de virada a crise no Supremo Tribunal Federal, que começou quando mensagens expuseram a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Integrantes do bloco avaliam que a imagem de Moraes está atrelada à de Lula e que a crise respinga no presidente, segundo o Metrópoles. Para essas lideranças, somente um "fato novo" contra Flávio teria capacidade de mudar o cenário. Na pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro, o senador apareceu empatado numericamente com Lula no segundo turno, com 41% das intenções de voto para cada um.
Neutralidade até 4 de outubro
O posicionamento oficial segue sendo a neutralidade. PP, União Brasil e Republicanos defendem ficar fora da disputa do primeiro turno. O argumento, segundo o Metrópoles, é que a neutralidade ajuda a eleger bancadas robustas na Câmara e no Senado e obrigará qualquer presidente eleito a negociar com essas legendas.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos, o segundo turno será em 25 de outubro, e é para esse cenário que o centrão desenha seu eventual apoio ao senador.