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Chatbots de IA dão notas a propostas presidenciais e criam ranking vedado pelo TSE

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Chatbots de inteligência artificial deram notas para as propostas dos candidatos à Presidência e criaram um ranking entre eles, em desacordo com a regra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que veta esse tipo de resposta automatizada. É o que mostra reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quarta-feira (23), na reta final da campanha presidencial.

A norma em questão é a Resolução 23.755/2026, que alterou as regras de propaganda eleitoral, segundo o site especializado desinformante. Ela proíbe que sistemas de IA ranqueiem, recomendem ou priorizem candidatos e que emitam opiniões ou qualquer forma de favorecimento político por meio de respostas automáticas. A lógica é a mesma da do mesário da seção eleitoral: ele pode explicar onde consultar o plano de governo de cada candidato, mas não pode sugerir em quem votar. Quando o chatbot dá nota, ele deixa de descrever e passa a julgar, com critérios que o usuário não enxerga.

O padrão se repete desde abril

Esta não é a primeira vez que o problema é documentado. Entre 6 e 10 de abril, o Observatório IA nas Eleições, projeto do Aláfia Lab e da Data Privacy Brasil, submeteu cinco assistentes (ChatGPT, Gemini, Grok, DeepSeek e Meta AI) aos mesmos 14 comandos. Todas as ferramentas identificaram e traçaram perfis de pré-candidatos, e quatro recomendaram nomes para diferentes perfis de eleitor, com rankings de melhores propostas em economia, segurança pública e educação. Em vários casos, segundo o relatório, as respostas vieram com avaliações subjetivas, adjetivos e critérios pouco transparentes. A pesquisa existe, explica Matheus Soares, coordenador de conteúdo do Aláfia Lab, porque as pessoas passaram a buscar política direto nos assistentes, e não mais só nos buscadores.

"Quando um chatbot ranqueia ou recomenda pré-candidatos, ele deixa de apenas fornecer informação e passa a influenciar percepções políticas. Esse é um desafio importante de governança para que essas ferramentas operem em conformidade com as regras eleitorais", avaliou Carla Rodrigues, coordenadora de Plataformas e Mercados Digitais da Data Privacy Brasil.

A sequência não parou por aí. Em 21 de agosto, o JOTA Info noticiou que ChatGPT, Grok e o assistente de IA do Google seguiam fazendo ranking de melhores candidatos, e o Tribuna do Planalto registrou que Ronaldo Caiado liderava as listas presidenciais no ChatGPT e no Grok. Em julho, uma denúncia noticiada pela organização Conectas levou o caso ao Ministério Público Eleitoral, sustentando que ChatGPT, Gemini, Grok e DeepSeek podem influenciar a liberdade de escolha do voto. E em 4 de setembro a Folha informou que uma procuradoria investiga a atuação das big techs e pediu ao TSE informações sobre reuniões mantidas com plataformas de IA.

Do lado das empresas, o incentivo comercial aponta para o sentido oposto ao da regra. ChatGPT, Gemini, Grok, DeepSeek e Meta AI disputam ser a caixa de respostas padrão do usuário, e uma resposta fechada, com nota e vencedor, parece mais útil do que devolver uma lista de links para conferir. O relatório de abril já concluiu que as companhias ainda não tinham implementado salvaguardas capazes de atender às determinações do TSE, e a reportagem desta semana sugere que o comportamento persiste na campanha oficial.

O que ainda não sabemos e o que fazer

Não se sabe, por ora, se o TSE ou o Ministério Público Eleitoral aplicarão punição antes do primeiro turno, nem quantos eleitores de fato pedem conselho de voto a um chatbot: não existe medida pública do alcance dessas respostas. Também não se sabe se as empresas ajustaram os modelos após as denúncias. Para o eleitor, a recomendação prática é usar o assistente como ponto de partida: peça as propostas por tema, exija as fontes e confira os planos de governo registrados na Justiça Eleitoral. Depois, repita a pergunta em mais de um chatbot. Se cada um devolver um ranking diferente, a nota deixa de parecer um fato e revela o que sempre foi: uma escolha do modelo.

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