A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) não mudou o voto da maioria dos eleitores. Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra que as revelações sobre o ministro Alexandre de Moraes não alteraram a preferência de 85% dos brasileiros. No caso das acusações contra o ministro André Mendonça, o índice é de 86%.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre terça (8) e quinta (10) de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Segundo o g1, o levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela Globo e registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-01833/2026. O trabalho de campo, pela Folha, capta apenas parcialmente as revelações mais recentes da crise.
Poucas mudanças na corrida eleitoral
No cômputo geral, 7% dos eleitores disseram ter ficado em dúvida sobre em quem votar depois dos episódios. Outros 4% afirmaram ter mudado de candidato. A dúvida é maior entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 8%, contra 5% entre apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em cada um dos dois grupos, 2% trocaram de candidato. Segundo a Folha, os dois favoritos oscilaram para cima: Lula saiu de 38% para 39%, e Flávio, de 33% para 35%. O senador tem associado o rival a Moraes na campanha para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
O conhecimento da crise é alto. Segundo o Datafolha, 66% dos eleitores dizem conhecer o episódio envolvendo Moraes; entre eles, 26% se declaram bem informados. O índice sobe entre eleitores de Flávio Bolsonaro, com 75%, ante 61% entre quem declara voto em Lula no primeiro turno. Sobre as suspeitas que recaem sobre Mendonça, 45% dizem conhecer as acusações, segundo o portal Itatiaia.
Sessão do STF na terça (15)
A crise começou no dia 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre as relações de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O documento cita o contrato de R$ 131 milhões do ex-banqueiro com o escritório de advocacia da esposa de Moraes e mensagens em que Vorcaro questionava a conveniência de deixar o país para não ser preso. Não há registro de resposta do ministro.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, convocou para a terça-feira (15) uma sessão presencial do plenário para discutir o relatório da PF e o encaminhamento do caso. Segundo o g1, Fachin rejeitou o julgamento simultâneo dos dois ministros e marcou para 23 de setembro a sessão sobre a conduta de Mendonça como relator do caso Master.