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Dino autoriza PF a acessar provas de operação contra produtora do filme 'Dark Horse'

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MRPor Marina Rocha•24 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar as provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo em uma operação contra a Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada na sexta-feira (21), corre em sigilo e foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha de S.Paulo.

O material vai alimentar o inquérito aberto no STF, sob relatoria de Dino, para apurar se emendas parlamentares destinadas por deputados do PL abasteceram a produção do longa-metragem. Segundo o G1, a PF argumentou ao Supremo que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produtora, está no centro dessa apuração e que os elementos recolhidos pela Polícia Civil podem aprofundar e até acelerar a investigação.

Contrato de R$ 108 milhões

A operação da Polícia Civil paulista, batizada de Operação Wi-Fi, foi deflagrada em junho em endereços ligados à produtora e a uma secretaria da Prefeitura de São Paulo. Os investigadores apuram se houve fraudes e desvios em um contrato de R$ 108 milhões por ano firmado entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e o ICB para o fornecimento de internet sem fio gratuita a comunidades carentes, e se parte dos recursos foi usada para financiar a equipe do filme.

De acordo com o G1, foram liberados à PF dados de computadores, celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e registros financeiros, incluindo dados brutos e relatórios já produzidos sobre as mídias apreendidas. Dino considerou o pedido e a justificativa da PF pertinentes e de acordo com o entendimento do STF para esse tipo de compartilhamento.

O inquérito no Supremo foi aberto depois que Dino pediu uma apuração da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre emendas dos deputados Mário Frias (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) destinadas ao ICB e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades apontadas como parte de um mesmo núcleo de gestão coordenado por Karina Ferreira da Gama, dona do instituto e sócia da Go Up. A PF detalha agora as relações empresariais de Karina e de suas empresas e analisa eventuais doações eleitorais ligadas aos investigados.

O filme está no centro do desgaste da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, após a divulgação de áudios em que ele pede R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para finalizar a obra. Segundo a produtora, Vorcaro bancou mais de 90% do orçamento do longa. Procurada pela Folha, Karina Ferreira da Gama não respondeu aos pedidos de comentário.

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