O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que analisará os fatos do caso Master e anunciará medidas "cabíveis e necessárias" nos próximos dias. Segundo o G1, a declaração foi dada durante um evento sobre resistência democrática. Fachin não citou nominalmente os ministros Alexandre de Moraes nem André Mendonça.
O presidente do tribunal falou sobre os limites que cercam o cargo de ministro do STF. Segundo a Folha de S.Paulo, ele disse:
"A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal."
O que diz o relatório da PF
A declaração chega um dia depois de Mendonça, relator do caso Master no STF, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com um contato salvo como Alexandre de Moraes. O material foi extraído de um celular apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes no Banco Master. Segundo o G1, o documento aponta oito encontros entre Vorcaro e o ministro entre abril de 2024 e agosto de 2025.
Os documentos tratam ainda de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e de uma segunda proposta, de R$ 50 milhões, que previa pagamento com cotas de um jatinho e de um helicóptero. Segundo a Folha, parte das mensagens é atribuída diretamente a Moraes; em outros trechos, a PF afirma apenas suspeitar de que ele era o interlocutor. A extração recuperou os conteúdos enviados por Vorcaro, mas não eventuais respostas, e os documentos não demonstram que os pedidos do ex-banqueiro tenham sido atendidos. A Folha relata ainda que Mendonça teve um encontro com Vorcaro em 2025, como mostrou o site ICL, e que parte da PF vê possível excesso na atuação do relator.
Reações e próximos passos
A divulgação das mensagens provocou reações imediatas na política. O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que Moraes "não tem mais condições de permanecer no cargo". O candidato presidencial Renan Santos anunciou pedidos de impeachment contra Moraes e contra o ministro Dias Toffoli, segundo a BBC News Brasil.
O próximo passo é de Fachin. O presidente do STF prometeu anunciar as medidas nos próximos dias, sem detalhar o que será decidido. Mendonça segue como relator do caso.