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Flávio Bolsonaro confirma viagem em jato ligado a Vorcaro

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MRPor Marina Rocha•25 de setembro de 2026•Fontes: Correio Braziliense, Valor Econômico, G1

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta quinta-feira (24), em publicação nas redes sociais, que viajou com a família em janeiro de 2025 em um jato executivo administrado por empresa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A viagem foi revelada pela revista piauí e confirmada pelo g1. O candidato disse que, à época, acreditava que a aeronave pertencia ao amigo Willer Tomaz, advogado e também passageiro do voo.

O voo partiu de Fort Lauderdale, na região de Miami, às 12h15 de 19 de janeiro de 2025, e pousou em Brasília às 20h01. Estavam a bordo a mulher do senador, Fernanda, as duas filhas do casal e Tomaz, advogado citado em investigações da Polícia Federal sobre descontos indevidos em benefícios do INSS. Registros da alfândega dos Estados Unidos mostram que Flávio havia entrado no país em 27 de dezembro de 2024 para passar as festas de fim de ano. A repercussão cresceu quando internautas resgataram um vídeo gravado em julho, no qual o candidato negava ter usado aeronave do banqueiro. "Vocês não vão me ver viajando para Londres, Estados Unidos, para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em avião do Vorcaro", disse ele, ao lado da ex-deputada distrital Júlia Lucy.

A explicação e a disputa pelo jato

Flávio ironizou, na mesma publicação, o uso posterior da aeronave pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2025. "Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes", escreveu. Ao jornal O Globo, repetiu a versão:

"Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You). Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade."

À época da viagem, o jato, um Embraer Legacy 650 de prefixo PP-NLR fabricado em 2012, era operado pela Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro, em contrato de cessão de dez anos com a Fraction 024, de propriedade de Marcus Vinícius da Mata, também apontado como ligado ao banqueiro. Entre os cotistas da estrutura estavam a Prime You, da qual Vorcaro foi sócio, e o próprio Tomaz. Em nota, o advogado negou qualquer relação com Vorcaro. "Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza", diz o texto. Segundo a nota, a venda de uma cota de terceiro à Prime You ocorreu sem anuência de Tomaz e, ao tomar ciência em abril de 2026, ele denunciou o contrato e passou a discutir o caso na Justiça.

Caso Master e eleição

Segundo o g1, a Polícia Federal aponta que a mesma aeronave foi negociada em maio de 2025 com o escritório da advogada Viviane Barci, mulher de Moraes, em um contrato de R$ 50 milhões por serviços advocatícios, e que a data do voo de Flávio coincide com o período de acertos de remessas de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um repasse de US$ 2 milhões estava previsto para 20 de janeiro de 2025. O jornal Valor Econômico avalia que o episódio devolve o candidato à berlinda do Caso Master a dez dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e reporta que a campanha do presidente Lula (PT) pretende reforçar a ligação entre Flávio e o ex-banqueiro.

Uma reportagem do Estadão, confirmada pelo Correio Braziliense com fontes da Polícia Federal, mostra que Flávio tentou falar com Vorcaro por WhatsApp nos quatro dias anteriores à primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos. As mensagens constam do celular apreendido com Vorcaro. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente", escreveu Flávio na véspera da prisão. O primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro. Segue pendente o litígio judicial entre Tomaz e a Prime You, e as investigações do Caso Master continuam na Polícia Federal e no STF.

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