O senador Sergio Moro (PL) lidera a disputa pelo governo do Paraná com 37% das intenções de voto, segundo a primeira pesquisa Quaest contratada pela RPC, divulgada no dia 24 de agosto. O deputado estadual Requião Filho (PDT), que disputa com o apoio do PT, aparece em segundo, com 21%. O deputado federal Sandro Alex (PSD), candidato do governador Ratinho Junior, tem 15%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, Moro soma pouco mais de 49% dos votos válidos, segundo o g1. Dentro da margem de erro, ele teria chance de se eleger já no primeiro turno. A liderança se mantém em relação aos levantamentos anteriores do instituto, divulgados em abril e julho, como registrou a Folha de S.Paulo.
Aprovação alta de Ratinho não vira voto
O levantamento expõe a dificuldade do governador Ratinho Junior (PSD) em transferir prestígio. Ele tem 79% de aprovação e 68% de avaliação positiva. Para 65% dos eleitores, ele merece eleger o sucessor. Ainda assim, apenas 15% declaram voto no nome que ele apoia. Segundo a Quaest, 62% dos paranaenses não conhecem Sandro Alex, e só 21% sabem que ele é o candidato do governador.
"Os dados mostram que Ratinho Junior tem capital político para transferir, mas essa transferência ainda não aconteceu. O 'problema', portanto, não é rejeição ao governo, mas a falta de associação entre esse legado e Sandro Alex", disse ao g1 Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas.
Ratinho Junior definiu o sucessor tarde. Em março, o governador desistiu da pré-candidatura à Presidência para focar na sucessão estadual, e o nome de Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura e Logística, só foi anunciado em 13 de abril. Nesse intervalo, dois aliados deixaram o PSD e se colocaram como pré-candidatos por outras siglas. O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca migrou para o MDB e acabou anunciado como vice na chapa de Sandro Alex em 31 de julho. O deputado Alexandre Curi foi para o Republicanos e disputa o Senado. "Sem dúvida, o Rafael Greca tem uma trajetória consolidada e é um nome com capital político muito mais forte que o Sandro Alex", avaliou ao g1 Nilton Sainz, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná.
Para Karolina Roeder, doutora em Ciência Política pela UFPR e professora da Uninter, a escolha de um nome pouco conhecido do eleitor reflete um clima de "já ganhou" no grupo do governador. "Em vários momentos ele sempre tenta colar ali com o Ratinho Junior. Só que isso acaba deixando ele sem uma cara, sem identidade própria. E o eleitor precisa conhecer ele, não o Ratinho Junior", afirmou ao g1.
A disputa tem outros cinco candidatos. Segundo a Folha, a produtora cultural Tayná Miessa (Unidade Popular) e o advogado Luiz França (Missão) marcaram 1% cada um. Alexandre Salomão (Mobiliza), Adriano Funileiro (PCO) e o Professor Samuel Mattos (PSTU) não pontuaram. O cenário segue aberto: a soma de indecisos e de eleitores que ainda podem mudar o voto passa de 60% do eleitorado, segundo o g1. A propaganda eleitoral na TV começou na sexta-feira (28) e segue até 1º de outubro, às vésperas do primeiro turno. Se houver segundo turno, a programação volta ao ar entre 9 e 23 de outubro.