Uma passageira que ia embarcar às 19h20 em Brasília, rumo ao aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, contou à TV Globo que, no horário previsto para a decolagem, o embarque nem tinha começado. No painel do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, nesta terça-feira (22), havia voos da Azul marcados com a palavra "cancelado". Por volta das 20h30, centenas de pessoas formavam filas nos balcões da companhia, sem informação sobre se voariam na mesma noite ou nos dias seguintes, segundo o g1.
O problema estava longe do balcão de check-in. Em nota divulgada no início da noite, a Azul disse que uma "instabilidade global no sistema de GPS" estava impactando a operação da frota Embraer E2, de aviões fabricados pela Embraer.
"Por precaução, a Companhia está adotando medidas operacionais que podem resultar em ajustes na malha e nos horários de alguns voos. A empresa orienta que os Clientes com voos impactados verifiquem o status de sua reserva nos canais oficiais da Companhia antes de se dirigir ao aeroporto."
O tamanho do problema
Segundo a Folha de S.Paulo, com dados do site especializado Aeroin, praticamente todos os jatos E195-E2 que a Azul opera perderam a recepção do sinal de GPS na tarde desta terça. Às 17h30, apenas dois estavam no ar, um a caminho de Recife e outro de Porto Alegre, ambos saídos de São Paulo. As outras 43 aeronaves do modelo não decolaram. Em Congonhas, na capital paulista, o painel mostrava, no fim da tarde, três voos cancelados, dois para Belo Horizonte e um para Curitiba, além de um atraso para o Rio de Janeiro.
Quem responde pelo conserto é o fabricante. Um comunicado da Embraer, repassado por pilotos e ao qual a reportagem da Folha teve acesso, confirma relatos de perda de GPS em várias aeronaves E2 de diferentes operadoras e diz que a falha deixa o avião indisponível para voar. A empresa informou que investiga a pane junto com a Honeywell, responsável pelo sistema, para determinar a causa e a extensão do problema. Procurada pelo g1 e pela Folha, a Embraer não respondeu até a publicação das reportagens. O g1 também pediu à Inframerica, que administra o aeroporto de Brasília, um balanço dos voos afetados, e não recebeu retorno.
As outras companhias brasileiras dizem estar fora do problema. A Latam, que encomendou modelos da Embraer, afirmou que não registrou anormalidade porque só vai integrar esses aviões à frota em dezembro. A Gol informou que não opera a linha E2.
O que o passageiro deve fazer
- Antes de ir ao aeroporto, confira o status da reserva nos canais oficiais da Azul, como site e aplicativo. A recomendação é da própria companhia.
- Passageiros com voo afetado recebem a assistência prevista na Resolução 400 da Anac, norma da agência que regula a aviação civil e define os direitos em casos de atraso e cancelamento.
- Funcionários da Azul em Brasília disseram a uma passageira que alguns voos seriam realocados para a Latam, mas que nem todos os destinos e passageiros poderiam ser atendidos dessa forma.