O PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, teve o maior crescimento patrimonial entre as legendas nas eleições de 2026. Segundo levantamento do G1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os bens declarados pelos 1.636 candidatos da sigla somam R$ 4,9 bilhões, alta de 184% sobre os R$ 1,7 bilhão registrados em 2022. O aumento é de R$ 3,2 bilhões em quatro anos, com o número de candidatos praticamente estável: eram 1.629 na eleição passada.
Somados todos os partidos e cargos, o patrimônio declarado neste ano chega a R$ 31,1 bilhões, 30% acima dos R$ 23,9 bilhões de 2022. A relação de bens é uma autodeclaração obrigatória apresentada à Justiça Eleitoral no momento do registro da candidatura. O candidato informa imóveis, veículos, ações e aplicações financeiras, entre outros itens, e pode declarar o valor de compra do bem em vez do preço atual de mercado. Até a publicação desta reportagem, apenas o G1 havia divulgado o cruzamento completo dos dados do TSE por partido.
Com o salto, a média patrimonial dos candidatos do PL passou de R$ 1 milhão para R$ 3 milhões, e o partido subiu da sétima para a segunda posição no ranking de médias entre as legendas. O patrimônio, porém, é concentrado. Apenas doze candidatos respondem por metade dos bens da sigla, cerca de R$ 2,5 bilhões, enquanto 319 declararam não possuir qualquer bem em seus nomes.
O maior patrimônio do partido é o de Luiz Osvaldo Pastore, empresário e primeiro suplente na chapa do senador Eduardo Gomes (PL-TO), que disputa a reeleição. Pastore declarou R$ 677,7 milhões e é o terceiro candidato mais rico do país. Na sequência aparece Wilson Picler, suplente na chapa do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná, com R$ 478,7 milhões declarados. Quase metade do valor vem de participações no Centro Universitário Internacional (Uninter), fundado por ele.
Maior alta proporcional é do Democrata
O maior aumento proporcional ficou com o Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB). Mesmo com 396 candidaturas a menos que em 2022, a soma de bens saltou de R$ 164 milhões para R$ 702 milhões, alta de 328%. Dois candidatos a deputado estadual em Minas Gerais, Antonio dos Reis Gonçalves Lerin e Sérgio Cassemiro, puxaram o resultado: juntos, declararam R$ 533 milhões, 76% do total do partido.
Na média por candidato, a liderança é do PRTB, partido de Pablo Marçal, que tem apenas 12 candidatos e R$ 663,6 milhões somados. Na ponta oposta, o PCB tem a menor média, com 23 candidatos e R$ 4,1 milhões no total. O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aparece na 20ª posição, com média de R$ 714 mil para cada um de seus 1.103 candidatos.
Em valores absolutos, os cinco maiores patrimônios por partido são:
- PL: R$ 4,9 bilhões (1.636 candidatos)
- MDB: R$ 3,3 bilhões (1.409 candidatos)
- PSDB: R$ 2,6 bilhões (1.070 candidatos)
- PSD: R$ 2,5 bilhões (1.129 candidatos)
- Republicanos: R$ 2,5 bilhões (1.301 candidatos)
As declarações seguem disponíveis para consulta pública no portal do TSE. O primeiro turno das eleições acontece em outubro, quando os eleitores decidem os 27 governos estaduais, a Presidência da República e as vagas no Congresso.