Pesquisas estaduais da Quaest divulgadas nesta quarta-feira (26) apontam estabilização das intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e oscilação positiva do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O cenário reforçou, segundo o blog do jornalista Valdo Cruz no G1, a avaliação de integrantes da campanha petista de que será preciso criar novos fatos políticos com potencial de impacto eleitoral antes do primeiro turno, em 4 de outubro.
Nos levantamentos estaduais da Quaest, Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula em São Paulo (30% a 29%), em Minas Gerais (31% a 30%) e no Rio de Janeiro (31% a 29%), dentro da margem de erro. A campanha de Lula avalia que a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 e da PEC da Segurança Pública, antes das eleições, daria ao presidente novos argumentos para a propaganda eleitoral na televisão e no rádio.
Reunião com Motta e Alcolumbre
Nesta quarta-feira, Lula se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para alinhar a estratégia de votação das duas PECs e da medida provisória que extingue a chamada 'taxa das blusinhas'. Antes do encontro, Lula publicou em rede social: 'Hoje é um dia importante para o nosso futuro. Vou me reunir com os presidentes Hugo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado) para tratar, com a urgência que o povo brasileiro precisa, de quatro assuntos: fim da escala 6 por 1 e da taxa das blusinhas, PEC da Segurança Pública e o Marco Legal dos Minerais Críticos', segundo reportagem do G1.
De acordo com o G1, a PEC do fim da escala 6x1 está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e pode ser votada já na próxima quarta-feira (2). Aliados de Lula pressionam para que a votação em plenário ocorra no mesmo dia, unindo primeiro e segundo turnos, prática já usada em outras PECs quando há acordo político. Alcolumbre não descartou a possibilidade, mas também não fez promessas aos governistas, segundo a mesma reportagem.
A Folha de S.Paulo confirmou que os relatórios da PEC do fim da 6x1 e da PEC da Segurança serão levados à CCJ na semana do chamado 'esforço concentrado' do Congresso, mesmo período em que a comissão mista que analisa a medida provisória da taxa das blusinhas deve ser instalada, na terça-feira (1º). Segundo o jornal, a MP perde validade se não for votada até 8 de setembro, o que faria a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 voltar a valer a menos de um mês do primeiro turno. 'Essa medida provisória não vai caducar', disse Alcolumbre, segundo a Folha.
Resistência da oposição
A oposição pretende dificultar o avanço das votações, mas reconhece a dificuldade de barrar a PEC da 6x1 caso ela chegue ao plenário. 'Se o Senado colocar em votação o fim da escala 6 por 1, senadores que disputam a reeleição terão dificuldade para votar contra uma pauta que tem amplo apoio popular', afirmou um líder da oposição ao blog de Valdo Cruz, sem se identificar. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, trabalha com a expectativa de alcançar empate técnico com Lula no primeiro turno nas próximas pesquisas e de assumir a liderança numérica até setembro, segundo interlocutores citados pelo G1. A votação da PEC do fim da escala 6x1 na CCJ do Senado está prevista para a próxima quarta-feira (2), e o desfecho no plenário, ainda incerto quanto ao calendário, deve definir se o governo terá a vitória legislativa que busca antes de outubro.