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PF aponta código 'altura do vão é 2,45m' em compra de imóvel ligado a Jaques Wagner

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MRPor Marina Rocha•14 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, Jornal de Brasília, Metrópoles

Documentos da Polícia Federal divulgados na sexta-feira (11) apontam o uso de linguagem cifrada para combinar o valor de um apartamento de R$ 2,45 milhões ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado. O material integra o relatório do caso Banco Master que se tornou público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou ao ministro André Mendonça o fim do sigilo de todos os documentos da apuração.

Em mensagem interceptada, Daniel Lopes Monteiro, apontado pela PF como operador jurídico-financeiro ligado ao Master, escreveu a Guilherme Henrique Sodré Martins, o "Tio Guiga", homem de confiança do senador: "A altura do vão é 2,45m". A resposta veio em uma palavra: "Perfeito". Para os investigadores, o trecho não trata de arquitetura. A "altura do vão", segundo a PF, seria uma referência ao valor do imóvel: R$ 2,45 milhões.

O apartamento fica no empreendimento Poemè Horto, de alto padrão, construído pela Moura Dubeux no bairro do Horto Florestal, em Salvador. A PF relaciona a conversa a uma troca anterior entre Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em novembro de 2024, o senador encaminhou a Lima o contato de um gerente da construtora e, em seguida, informações de um imóvel avaliado em R$ 2,45 milhões. Segundo o relatório, o parlamentar pediu o apartamento a Lima como uma "vantagem indevida".

Negociação seguiu após a prisão de Vorcaro

Vorcaro foi preso em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero. As tratativas do imóvel, segundo a PF, não pararam. O relatório fala em "manobras contratuais executadas com o propósito de evitar a descoberta do negócio ilícito pelos investigadores". Três dias após a deflagração, em 21 de novembro de 2025, houve troca de mensagens entre um operador de Lima e diretores do Master para contatar os supostos operadores de Wagner. Quatro dias depois, a negociação foi retomada com mensagens mais cautelosas. Em fevereiro de 2026, os intermediários trocaram a minuta do contrato de compra assinada e detalhes do acabamento, cuja substituição acrescentaria R$ 20 mil ao preço. Monteiro e Sodré, diz a PF, preferiam videoconferências e reuniões presenciais, formato que dificultaria a exposição das conversas.

Reações

Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão na nona fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. Na ocasião, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, saiu em defesa do senador:

"O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade."

A defesa de Augusto Lima classificou as diligências como desnecessárias, argumentando que o empresário estava à disposição das autoridades, e afirmou que "as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos".

O inquérito do caso Master corre no STF, onde Fachin já determinou o fim do sigilo de todos os documentos. Novos trechos das interceptações devem vir a público conforme a ordem é cumprida. Wagner permanece na condição de investigado, e o caso segue sob análise do tribunal.

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