A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, que apura suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. As ordens foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, segundo o G1.
De acordo com a corporação, a ação investiga possíveis práticas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A operação é desdobramento de investigação iniciada em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na destinação das emendas.
Em comunicado, a PF afirmou que as investigações apontam que "integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais". A força acrescentou que "não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados". A PF não informou prisões nesta fase e não divulgou os nomes dos alvos.
Um dos principais alvos, porém, foi identificado pela imprensa: o deputado federal Cezinha Madureira, segundo a coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. A coluna descreve o parlamentar como amigo e aliado do ministro do STF André Mendonça. A reportagem do G1, ainda em atualização na manhã desta segunda, não citava nomes.
As emendas parlamentares são repasses do Orçamento da União indicados por parlamentares para obras, hospitais e projetos sociais em seus estados e municípios. É essa destinação de recursos que o inquérito examina desde dezembro de 2025.
Os próximos passos são a análise do material apreendido nas buscas e, ao final do inquérito, o envio de relatório ao STF, onde Dino expediu os mandados. Se restarem indícios contra parlamentares, a Procuradoria-Geral da República poderá oferecer denúncia ao próprio tribunal, que julga congressistas em exercício por determinação constitucional.