O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, avalia desistir da criação de um "selo de acurácia" para institutos de pesquisa nas eleições de 2026, depois de sofrer uma série de críticas à ideia de premiar empresas que mais se aproximarem dos resultados das urnas. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo o jornal, quarenta dias após a proposta ser apresentada, a avaliação do magistrado é de que a receptividade não foi boa, tanto entre os institutos de pesquisa, que viram na iniciativa um erro, quanto entre colegas na própria corte eleitoral. Ainda assim, Kassio tem dito a auxiliares que o selo não está descartado e pode ser adotado em eleições futuras.
A ideia foi apresentada pelo ministro em 14 de julho, em reunião com representantes de 16 institutos de pesquisa. A proposta previa uma premiação às empresas cujos levantamentos, na reta final da campanha, mais se aproximassem dos resultados das eleições gerais. A audiência com os institutos foi convocada depois que o próprio Kassio impôs restrições a uma pesquisa da Atlas/Bloomberg que apontou queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto para um dos candidatos, segundo a Folha.
Além do selo, o TSE estuda outras medidas para regulamentar as pesquisas eleitorais e dar mais transparência às metodologias usadas pelos institutos. Pessoas próximas ao presidente do tribunal afirmam que ele trata essa agenda como prioridade de sua gestão, mas reconhece que o debate sobre o uso de inteligência artificial nas eleições é mais urgente no momento.
Prioridade nas deepfakes
Um dos casos que pressiona o TSE é o uso de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela campanha do filho dele, Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Auxiliares de Kassio dizem que o caso deve ir a julgamento em plenário "em breve" e que o próprio presidente do TSE deve votar para proibir de forma abrangente os chamados deepfakes, o que representaria um recuo em relação a uma sinalização anterior dele, favorável à proibição de vídeos artificiais críticos mas à liberação de conteúdo positivo gerado por IA, numa espécie de "IA do bem".