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Renda do trabalho estabiliza após bater recorde no governo Lula

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MRPor Marina Rocha•26 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

A renda média do trabalho no Brasil mostrou sinais de acomodação nos últimos meses após atingir recorde durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados pela Folha de S.Paulo. O rendimento médio renovou a máxima da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) no trimestre encerrado em março deste ano, quando chegou a R$ 3.795 por mês. Nos meses seguintes, o indicador recuou levemente: R$ 3.776 no trimestre até abril, R$ 3.743 até maio e R$ 3.738 até junho.

A Pnad Contínua, iniciada em 2012, mede a renda real habitualmente recebida em todos os trabalhos, já ajustada pela inflação. O cálculo soma os rendimentos de todas as atividades profissionais e divide o total pelo número de pessoas ocupadas, o que significa que tanto a entrada de trabalhadores com salários mais altos quanto a abertura de vagas de menor remuneração podem alterar a média para cima ou para baixo.

Ao longo do terceiro mandato de Lula, o rendimento médio acumulou alta de quase 13%. A comparação usa o dado mais recente, do trimestre até junho de 2026 (R$ 3.738), e o valor registrado nos últimos três meses de 2022 (R$ 3.310), ainda sob o governo de Jair Bolsonaro (PL). Naquele momento, o mercado de trabalho ainda tentava se recuperar dos efeitos da pandemia de Covid-19: o menor patamar de toda a série histórica foi observado no trimestre até dezembro de 2021, quando a renda média caiu para R$ 3.061.

Desaceleração esperada

Para especialistas ouvidos pela Folha, a acomodação recente pode antecipar uma desaceleração mais ampla do mercado de trabalho, associada ao cenário de juros elevados usado pelo Banco Central para conter a inflação. "O ano de 2026 ainda é positivo para a renda, mas menos do que os últimos. É um cenário de desaceleração, de crescimentos menores. A perspectiva daqui para frente é de uma certa acomodação", afirmou o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, à reportagem.

Entre as medidas adotadas pelo governo Lula para elevar a renda dos trabalhadores está o reajuste do salário mínimo acima da inflação. A retomada dos últimos anos também ocorreu em um contexto de desempenho positivo do PIB (Produto Interno Bruto), o que, segundo analistas, aumentou a demanda por mão de obra e ajudou a puxar os salários para cima.

A desigualdade regional segue marcada. No segundo trimestre de 2026, a renda média mensal variou de R$ 2.284 no Maranhão a R$ 6.171 no Distrito Federal, que tradicionalmente lidera o ranking por concentrar cargos de alto escalão do funcionalismo público em Brasília. São Paulo aparece em segundo lugar, com R$ 4.447, o quarto maior valor da própria série histórica do estado. Já o Amazonas é a única unidade da Federação em que a renda média do período (R$ 2.771) segue abaixo do patamar do início da série, em 2012 (R$ 2.914).

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