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Sem Lula, Flávio e Zema, debate de estreia de 2026 tem menor quórum desde 1989

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MRPor Marina Rocha•24 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, promovido pela Band a partir das 20h deste domingo (23), nos estúdios da emissora no Morumbi, zona sul de São Paulo, terá apenas três candidatos no palco: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Segundo a Folha de S.Paulo, é o menor número de participantes em um confronto de estreia desde 1989, ano em que as emissoras de televisão passaram a realizar debates entre presidenciáveis na redemocratização.

As ausências concentram os holofotes. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), líderes das pesquisas de intenção de voto, já haviam decidido não comparecer. Neste domingo, Romeu Zema (Novo) também anunciou desistência, atribuindo a decisão à ausência dos dois favoritos e à mudança de data do encontro — originalmente marcado para 16 de agosto e adiado por uma semana na tentativa de viabilizar a participação do presidente, segundo o Poder360.

"A mudança de data do debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão de 16/08 para 23/08 havia sido considerada sob a premissa e a expectativa de que o candidato Lula fosse participar, garantindo a pluralidade do encontro. Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial", afirmou a assessoria de Zema, em nota.

De acordo com o Poder360, a equipe de Lula avalia que o presidente seria o principal alvo dos adversários no palco e afirma que ele está concentrado na campanha e em agendas de governo — a tendência é que o petista priorize debates de maior audiência ao longo da disputa. Flávio Bolsonaro, por sua vez, condicionou a participação nos debates à presença de Lula: sem o petista, calcula sua campanha, o senador passaria a concentrar os ataques dos demais candidatos.

Pesquisas e um candidato impedido

Os números ajudam a explicar o palco esvaziado. Na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21), Lula lidera as intenções de voto no primeiro turno com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Caiado tem 5%, Renan Santos, 4%, Zema, 3%, e Cury, 2% — somados, os três candidatos que sobem ao palco neste domingo representam 11 pontos percentuais. Pablo Marçal (PRTB) nem chegou a ser convidado: na quinta-feira (20), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu, por unanimidade, impedi-lo de participar de debates, acessar o fundo eleitoral e aparecer no horário eleitoral gratuito até que a corte julgue a validade do registro de sua candidatura, segundo a Folha.

A desistência de Zema tem custo próprio. Como mostrou a coluna Painel, da Folha, o debate era uma das poucas oportunidades de o ex-governador de Minas Gerais aparecer na TV, já que o Novo não tem direito à propaganda eleitoral gratuita. O convite ao partido, aliás, foi uma concessão da emissora, sem obrigação legal.

Reações

Os três confirmados reagiram às ausências. Caiado disse que não dá marcha a ré nem para trem carregado de dinamite e completou: "Estarei lá." Renan Santos afirmou que "é uma vergonha o que estão fazendo" e que, "de direita a esquerda, todo mundo [está] descompromissado". Ao chegar aos estúdios, o candidato do Missão exibiu fraldas com os nomes de Lula e de Flávio, chamou os dois de "criminosos que fazem negócios com o crime organizado" e disse que a ausência é prova de covardia. Sobre Zema, cravou: "Eu nem lembrava."

A estreia esvaziada contrasta com a história. O primeiro debate televisionado entre presidenciáveis do país, também promovido pela Band, em julho de 1989, teve no palco nomes como Paulo Maluf, Mario Covas e o próprio Lula — além de um jovem deputado chamado Ronaldo Caiado, elo entre dois pleitos separados por 37 anos, segundo registro do acervo da Folha.

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