arrow_backVoltar
crimeparaibamoney-launderingorganized-crimeapostas

Sócio-proprietário da Pixbet é preso na Paraíba na 2ª fase da Operação Arena

bookmark_borderSalvar
LCPor Luiza Campos•18 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, Jornal da Paraíba

Diomar Tadeu Dantas de Farias, sócio-proprietário da casa de apostas Pixbet, foi preso na manhã desta quinta-feira (17), na segunda fase da Operação Arena, da Polícia Federal, na Paraíba. Segundo o G1, ele foi localizado em uma casa de praia em Jacumã, no litoral sul do estado, e deve ser encaminhado para Campina Grande, cidade onde fica a sede da empresa.

Além da prisão preventiva, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro de bens em Campina Grande e em João Pessoa, de acordo com a Folha de S.Paulo. O Jornal da Paraíba informa que o mandado deveria ter sido cumprido em Campina Grande, mas Tadeu Dantas não foi encontrado no endereço. É a primeira prisão desde que a operação foi deflagrada, em agosto, pela PF, pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pela Receita Federal.

Há divergência entre os veículos sobre quem foi preso. A Folha publicou que o detido é Ernildo Júnior de Farias Santos, apontado pelo jornal como dono da Pixbet. Já o G1 e o Jornal da Paraíba relatam que a PF confirmou apenas a identidade de Tadeu Dantas, primo de Ernildo e sócio no negócio. Ernildo foi alvo da primeira fase, em agosto, quando foi abordado em uma rodovia na saída de Campina Grande e teve o carro e o celular apreendidos. Até a publicação, nenhuma das reportagens havia localizado a defesa de Tadeu Dantas.

Como o esquema funcionaria

A Operação Arena apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o crime de enviar dinheiro para fora do Brasil sem declarar. Segundo a investigação, a mecânica era a de uma lavanderia contábil: o dinheiro dos apostadores saía para uma empresa de fachada registrada em Curaçao e voltava ao Brasil como pagamento por serviços que, na conta da PF, nunca teriam existido, acompanhado de notas fiscais que davam aparência legal à origem dos valores.

A Folha detalha outra camada: os valores eram convertidos em stablecoins, criptomoedas atreladas ao dólar que circulam entre países sem passar por um banco, e também trocados por dólares em casas de câmbio antes de seguir para contas em paraísos fiscais. Segundo o jornal, o esquema teria servido ainda para financiar a regularização da Pixbet no Brasil. Na primeira fase, a Justiça decretou quebra de sigilo bancário e autorizou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens, com mandados cumpridos em cinco estados (19, segundo o G1; a Folha contabilizou 17).

O que ainda não sabemos

A prisão preventiva é uma medida cautelar, tomada antes de qualquer julgamento. A PF não detalhou publicamente as provas que motivaram a detenção nem os alvos dos outros cinco mandados, e a defesa de Tadeu Dantas não se manifestou até agora. O sequestro de bens também é provisório e pode ser revertido pela Justiça. A divergência entre os veículos sobre a identidade do preso mostra que o quadro segue em movimento.

O caso toca o futebol e o bolso dos apostadores. A Pixbet patrocinou o Flamengo, com contrato previsto de R$ 125 milhões por temporada e rescindido em agosto de 2025 após atrasos de pagamento, e o Corinthians, que rompeu o vínculo em 2024 e depois recebeu uma cobrança de multa de R$ 20 milhões da empresa. O modelo de negócio das casas de apostas vive de volume, e o patrocínio de clubes grandes é a vitrine mais barata para captar apostadores, o que explica os contratos e também ativos como o Serra Branca Esporte Clube e a Arena Vaquejada Pixbet, em Gurinhém. Desde julho, por decisão da Justiça da Paraíba, as plataformas da empresa estão suspensas em todo o país por falhas no bloqueio de menores de idade. Vale acompanhar se a denúncia é formalizada, se a suspensão das plataformas se mantém e o que acontece com o saldo das contas dos apostadores enquanto a operação avança.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar