O ministro Dias Toffoli determinou que o caso Master fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal no dia seguinte à manifestação em que a Polícia Federal informou não ter encontrado indícios de crimes cometidos por autoridades com prerrogativa de foro. A sequência consta de documentos cujo sigilo foi retirado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, atual relator do caso na Corte. A CNN Brasil e o Valor Econômico reportaram a movimentação nesta sexta-feira (11).
A cronologia nos autos
A manifestação da PF é de 2 de dezembro de 2025 e está entre as peças liberadas. Na ocasião, a corporação afirmou ter feito uma análise minuciosa dos elementos de prova da investigação, que apurava a Operação Compliance Zero e o Banco Master do banqueiro Daniel Vorcaro. Para os investigadores, a hipótese criminal se resumia a crimes financeiros.
"Por oportuno, afirmamos que, até o momento, após filtro minucioso sobre os elementos de prova coletados, inclusive no que toca a celulares e equipamentos eletrônicos, não foram encontrados qualquer indício de prova quanto à prática de crimes por pessoas politicamente expostas ou autoridades com prerrogativa de foro, permanecendo inalterada a hipótese criminal que se resume a apurar crimes financeiros", escreveu a PF.
Segundo a CNN Brasil, no dia seguinte, 3 de dezembro, Toffoli determinou que todo o caso fosse enviado ao STF e retirado das instâncias inferiores, sob sua relatoria. O ministro justificou a medida pela necessidade de "evitar vazamentos que pudessem prejudicar as apurações". O Valor Econômico localiza em 9 de dezembro a decisão que consolidou no tribunal todos os procedimentos da Compliance Zero e do Master. O jornal informa que a justificativa era a possível conexão do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) com o caso, após a PF encontrar na casa de Vorcaro um documento com menção ao parlamentar.
Para a PF, esse material era uma minuta não assinada de compra e venda de imóvel entre Bacelar e Vorcaro, negócio que não se concretizou e não tinha "o menor interesse para a investigação". Dias antes da decisão, segundo o Valor, as defesas de Vorcaro e de outros investigados haviam pedido a Toffoli o envio do caso ao STF. A justificativa acolhida pelo ministro foi a mesma sustentada pelos advogados.
Outro ponto da cronologia aparece na reportagem da CNN Brasil. Toffoli havia sido sorteado relator de uma reclamação movida pelo próprio Vorcaro, protocolada em 28 de novembro de 2025, cinco dias antes de o ministro puxar toda a investigação para o STF. Poucos dias depois, impôs sigilo máximo ao caso. Em fevereiro, após a PF apontar possíveis conexões entre o ministro e Vorcaro, Toffoli deixou a relatoria. Para a CNN, ele foi retirado por suspeita de envolvimento com o banquero; o Valor informa que saiu de forma voluntária. Mendonça foi sorteado novo relator.
Reação no tribunal
A liberação parcial dos autos reacendeu a crise no STF. Nesta sexta-feira (11), o ministro Alexandre de Moraes enviou ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, no qual fala em "escolha seletiva" na retirada do sigilo feita por Mendonça. Segundo Moraes, apenas 15 procedimentos foram liberados de forma parcial, com exclusão de 180 peças e documentos digitais. Ele pediu a derrubada imediata de todo o sigilo e o julgamento conjunto das duas petições em curso sobre o caso. A análise da situação de Moraes está prevista para a terça-feira (15). Fachin ainda define o rito do julgamento.