O jornal O Globo divulgou neste domingo (20) um vídeo que mostra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um jato executivo no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. As imagens foram gravadas em 22 de agosto de 2025. A aeronave era um Legacy 650, de prefixo PP-NLR, registrada em nome de uma empresa do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, segundo o Metrópoles.
A gravação confronta a negativa do ministro. Em abril, em nota oficial emitida pelo gabinete, Moraes afirmou que "jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece". Segundo o Brasil 247, o vídeo contraria a versão apresentada ao STF. O Metrópoles escreveu que os registros em vídeo e as investigações da Polícia Federal (PF) contradizem a versão oficial do ministro. Moraes já classificou de "diálogos fantasiosos" as mensagens que a PF atribui a ele nas conversas com Vorcaro.
O contrato das aeronaves
Segundo apurações da PF citadas pelo Metrópoles, o voo ocorreu três meses após o escritório de advocacia de Viviane Barci firmar um contrato suplementar de R$ 50 milhões com uma empresa de Vorcaro. A minuta localizada pelos investigadores previa R$ 40 milhões pagos em cotas de uso de um jato e de um helicóptero, além de R$ 10 milhões em reembolso de despesas de voo. O acordo seria adicional ao primeiro contrato, de cerca de R$ 130 milhões, assinado pelo escritório com o Banco Master.
O escritório nega que o segundo acordo exista. "Nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição", diz a nota citada pelo Brasil 247. A defesa sustenta que a proposta de Vorcaro não foi aceita e que não houve irregularidade. Moraes e o escritório afirmam publicamente que o contrato de R$ 50 milhões jamais existiu ou chegou a ser assinado pelas partes, conforme o Metrópoles.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro reforçam o uso das aeronaves, segundo a PF. Em diálogo de 16 de julho de 2025, o banqueiro perguntou ao gestor Marcos Matta se o casal estava utilizando os aviões; a resposta confirmou que o uso de jatos e helicópteros já estava liberado e em andamento, relata o Metrópoles. Em maio de 2025, Vorcaro havia pedido a um ex-sócio da Prime Aviation informações sobre o Legacy 650 e um helicóptero EC 155 B1, aponta o Brasil 247. Ao discutir quando os "ativos" previstos no acordo seriam transferidos, ele respondeu: "os ativos são deles já". Vorcaro, em depoimento, disse não lembrar o destinatário da mensagem que a PF atribui a Moraes, segundo o Brasil 247.
Viviane Barci também confirmou o uso do serviço. Em conversa de julho de 2025 reproduzida pela PF, ela disse que o casal estava "gostando muito" das cotas de voo e elogiou o atendimento da equipe, reporta o Brasil 247. Um mês antes da viagem ao Rio, o Banco Central havia enviado alerta formal ao Ministério Público Federal com indícios de gestão fraudulenta em operações entre o BRB e o Banco Master, segundo o Metrópoles.
O que vem a seguir
No STF, o julgamento que discutiu o caso deixou em aberto a definição do rito e a abertura de apuração contra Moraes. O partido Novo já pediu o afastamento do ministro da apuração das mensagens com Vorcaro, conforme o Metrópoles. A divulgação do vídeo chega em plena campanha presidencial, com a crise no tribunal transformada em tema eleitoral e presidenciáveis defendendo mudanças na Corte, como mandato fixo para os ministros, reporta o O Globo.