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Vorcaro diz não lembrar destinatário de mensagem que a PF atribui a Moraes

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MRPor Marina Rocha•14 de setembro de 2026•Fontes: BBC News Brasil, G1

Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que não se lembra para quem enviou a mensagem em que, segundo os investigadores, pedia ajuda ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o Banco Master. O ex-banqueiro prestou o depoimento em 28 de agosto. Os trechos foram relatados pelo G1 neste domingo (13).

Vorcaro foi ouvido sobre suspeitas de pagamento de propina a diretores do Banco Central e sobre um suposto vazamento de investigações que o atingiam. O delegado Albert Paulo Sérvio de Moura apresentou prints encontrados por peritos no celular do ex-banqueiro. Segundo o relatório da PF, as mensagens foram enviadas a Moraes.

Em uma delas, de 30 de outubro de 2025, Vorcaro escreve que alteraria uma passagem aérea para encontrar Moraes e trata das apurações do Banco Central contra o Master. Ele diz que recebia informações informais e confidenciais de dentro da autarquia e cita "G", referência ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, e a outros diretores pressionados por órgãos de controle.

O delegado também perguntou sobre uma nota no aparelho que menciona uma viagem a Abu Dhabi, o fundo garantidor de crédito e os nomes "Andrei" e "Paulo". Para a PF, seriam o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Vorcaro respondeu: "eu estava falando com muitas pessoas sobre essa transação do banco, pessoas próximas a mim". Disse ainda que o "G" "provavelmente é Galípolo, o presidente".

Quando o delegado insistiu e perguntou se ele recordava "para onde foram essas mensagens, o destino delas", o ex-banqueiro afirmou que não se recordava do destino do material.

"Eu teria que me recordar pra quem foi as mensagens. [...] não quero fazer inferência aqui sem ter certeza, posso responder depois oportunamente pra não cometer erro aqui."

Delação futura e sessão de terça

O advogado de Vorcaro afirmou que o cliente está disposto a colaborar, mas em uma futura delação premiada, porque há outras pessoas que podem estar envolvidas. "Alguns fatos relacionados a algumas pessoas ele efetivamente pode falar desde que seja no ambiente futuro duma nova [delação]", disse, segundo o G1.

No início do mês, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que apontou 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes. Segundo a BBC News Brasil, a decisão foi tomada em 1º de setembro e, na quarta-feira (9), o presidente do STF, Edson Fachin, tirou de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News e convocou sessão plenária para tratar da crise. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e é investigado por fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões, segundo a BBC News Brasil.

Mendonça pediu que o plenário decida se abre ou não uma investigação contra Moraes, o que pode acontecer na sessão desta terça-feira (15). Em reação, Moraes enviou à Presidência da corte um relatório de inteligência da PF, sem valor probatório, que questiona a atuação de Mendonça na condução dos inquéritos do Master e do INSS. Esse material será analisado em 23 de setembro.

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